Opinião

Cabo Daciolo, Jair Bolsonaro e a ascensão da extrema-direita pelo mundo

Por: Vicente Troiano

A extrema-direita com expressividade política não é um fato exatamente novo, na verdade é algo tão antigo quanto os costumes que pregam. Porém, o estranho é pensar que, mesmo após diversas ditaduras militares, tanto no Brasil quanto no mundo, uma vertente política dessas vem juntando mais adeptos, principalmente nos últimos anos.

Incidentes como o de Charlottesville, o crescimento de partidos nacionalistas e neo-nazistas na Europa e as próprias falas dos candidatos a presidente Cabo Daciolo, Jair Bolsonaro e do atual presidente americano Donald Trump reforçam o sentimento de que não são somente casos isolados, e sim uma espécie de padrão comportamental vindo diretamente da abertura de uma cápsula do tempo que nunca deveria ter sido aberta.

Outro fato assustador foram as eleições federais alemãs ano passado, na qual 13,2% dos votos foram para o partido AfD, um partido nacionalista de extrema-direita, o colocando em terceiro lugar nas eleições. Nem mesmo um histórico de nazismo que proíbe declarações nacionalistas parece ter influenciado quase 6 milhões de alemães no momento de escolha do voto.

O sentimento de perda da cultura tradicional aliado ao poder de união das redes sociais transforma pequenos focos de ideias conservadoras e até preconceituosas em grandes fogueiras, resultando em casos como o de Jair Bolsonaro. O militar da reserva, com 63 anos é o maior representante desse posicionamento político no Brasil. Apelidado de “mito”, o candidato apresenta propostas como menor controle ao porte de arma e pretende colocar militares para ocupar cargos nos ministérios. Bolsonaro é acusado por crime de racismo por fruto de algumas de suas falas, incluindo “quilombolas não servem nem para procriar”.

Segundo pesquisa de intenção de voto apresentada pelo IBOPE, Bolsonaro iria ao segundo turno das eleições presidenciais com ou sem a presença do ex-presidente Lula, atingindo cerca de 20% dos votos, que levando em conta votos brancos, nulos e indecisos representa pouco mais de 18 milhões de brasileiros votantes compactuando com ideias de extrema-direita.

No final, restam duas opções, a primeira por mais hipócrita que pareça, envolve fugir para as montanhas com medo das forças ocultas como o candidato a presidente Cabo Daciolo fez, e a segunda, mais lúcida, envolve lutar com todas as forças para que não retrocedamos 50 anos em 5 por causa de um “mito” esquecido pelo tempo.

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