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Conheça as bancadas dos deputados do Congresso

Com 513 deputados, de 27 unidades federativas, a Câmara possui divisões segundo as ideologias de cada um.

Por: Lucas Vasconcelos e Lívia Mie

 

A câmara dos deputados conta, hoje, com 11 bancadas que defendem interesses e ideologias diferentes, entre elas, está a Parentes, na qual os políticos contêm vínculo familiar. Ela é a maior dentro do congresso com 238 deputados que se reúnem semanalmente em Brasília para a discussão de projetos. Em seguida vem a das “empreiteiras e construtoras” (226), a empresarial (208), a “agropecuária” (207) e a “evangélica” (197). As pessoas presentes nessas bancadas são renovadas no início de cada legislatura, após as eleições.

Apesar da importância sobre essa área do conhecimento político, muita gente não faz a menor ideia do que sejam. A dona de casa Maria Toaldo, 54, fala que só conhece a bancada evangélica e essa representa sua ideologia. “Cada um quer defender seus interesses. Os evangélicos querem defender as leis segundo o mandamento de Deus, o que é o certo”, diz.  O estudante de arquitetura e urbanismo, Julio Botega, 31, conta que para ele “as bancadas defendem interesses específicos: rurais, evangélicas, empresariais e sociais. Elas articulam projetos que compartilham de ideais e acho que elas prejudicam ao defender algo de visão individual do seu grupo, esquecendo o restante da população”.

A advogada Fernanda Barollo, 26, conta que “as bancadas do congresso, inicialmente, é uma ideia incrível, pois une os deputados que lutam por objetivos em comum, mas os ideais da bancada perdem o sentido quando o estado laico aceita uma bancada evangélica para discutir assuntos que regem um país inteiro, que é laico. As bancadas são necessárias, mas perderam o foco quando começaram a aceitar bancadas religiosas que interferem em todo o direito da sociedade ”.

Esquema produzido pela Pública- Agência de Jornalismo Investigativo do número de deputados em cada bancada e as ligações entre elas*

A Bancada Parente

Ela é formada principalmente por aqueles que ocupam posições na elite política, que têm mais incentivos. Após a disputa eleitoral de 2014, a Transparência Brasil divulgou um levantamento concluindo que 49% dos deputados federais eleitos naquele ano tinham pais, avôs, mães, primos, irmãos ou cônjuges com atuação política, sendo assim, o maior índice das quatro últimas eleições. Segundo um levantamento de 2017 da Revista Congresso em Foco, 59 dos 81 parlamentares no Senado já tiveram ou ainda têm familiares no exercício de mandatos políticos. Esse número representa cerca 73% da Casa.

 

A Bancada Empreiteiras e Construtoras e Bancada Empresarial

Com 226 deputados, a Bancada Empreiteiras e Construtoras é a segunda maior. Dados divulgados pela Operação Lava Jato revelam que mais de 250 deputados eleitos tiveram apoio de empreiteiras investigadas em casos de corrupção, sendo a principal a Odebrecht. A Bancada Empresarial conta com 208 candidatos e teve como maior financiador em 2014 as empresas do grupo JBS que distribuíram cerca de R$61,2 milhões para 162 deputados eleitos de 21 partidos diferentes.

 

A Bancada Agropecuária

A Bancada agropecuária conta com 207 deputados com uma visão mais conservadora e tem como objetivo a discussão de tributação de produtos agrícolas, a indenização de propriedades quando desapropriadas e a indicação de membros para as comissões permanentes da Câmara dos Deputados.

 

A Bancada Evangélica e a Bancada da Bala

A Bancada Evangélica tem 197 deputados cristãos e que compartilham de ideais mais conservadores. Entre as causas defendidas estão: ser contra o aborto, a união LGBTI e são a favor da redução da maioridade penal, pensamento este dividido com a Bancada da Bala.

A Bancada da Bala ganhou esse nome devido ao financiamento de indústrias de armas e munições. Atualmente, conta com a participação de 35 deputados, os quais defendem a intervenção militar, o aumento de penas e, principalmente, a revisão do Estatuto do Desarmamento. Segundo dados divulgados pela Pública – Agência de Jornalismo Investigativo, em 2017, dos 35 deputados que compõem a Bancada da Bala, 15 também fazem parte da Bancada Evangélica e nenhuma delas tem ligação com a Bancada dos Direitos Humanos.

 

A Bancada Direitos Humanos

Com 24 deputados, sendo metade do PT, essa bancada é contra a opressão às mulheres, o racismo e a violência estatal e defende os direitos LGBTI, aos índios e populações tradicionais. É a bancada que possui menor vinculação com as outras, não tendo ligação com a Agropecuária, Bala, Evangélica, Mineração e Saúde.

Para a votação de projetos, há a união de certas bancadas que compartilham de ideologias semelhantes sobre o aspecto discutido, como acontece nas discussões sobre maioridade penal com a Evangélica e a Bala.

Segundo a historiadora, socióloga e Dr(a) em direito Edna Maria da Silva “precisa-se a contradição dentro das bancadas para que haja um processo democrático. É necessário que elas existam para haver uma discussão dentro desse processo. Mas o problema é quando essas bancadas começam uma disputa de poder de ideais de esquerda e direita e esquecem do povo, assim, atrapalhando o desenvolvimento do país. A política brasileira é uma política individualista, onde cada um joga pra si e não representam a vontade da maioria. As bancadas não devem pensar de maneira individualista e sim, propagar uma discussão que beneficie a todos os cidadãos do país”. Além das bancadas citadas, também existem a Sindical, Mineração, Saúde e Bola.

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