Opinião

Eleição do coração

Por: Gustavo Betim

As eleições do ano de 2018 certamente vão entrar para a história, mas não no melhor sentido possível. Em uma época em que extremismos estão mais à flor da pele do que qualquer coisa, escolher um representante para comandar o país não será nada fácil.

De um lado nós temos uma direita que está cansada da velha política, dos mesmos problemas que os antigos governantes, e para isso escolhem um candidato que se apresenta como “o salvador da pátria” para seguir cegamente crendo que ele é diferente e que tudo vai mudar como em um passe de mágica. Porém, eles se esquecem de que, apesar de uma moeda ter dois lados, a única coisa que muda é a cara, o resto é tudo exatamente igual.

No outro lado, temos uma esquerda que não consegue admitir os erros que o passado lhes atribuiu, e com isso acaba contrariando tudo aquilo que condenava: violentos e baderneiros. Para eles, pouco importa se alguns de seus argumentos estão sem nenhuma base sólida, estão mais preocupados em lacrar do que realmente parar, refletir e seguir em frente.

Tendo isso em vista, é preocupante o cenário político que vem se estabelecendo no Brasil. Debates praticamente não existem mais, seria melhor se os presidenciáveis contrariassem o comportamento que seus eleitores adotam, mas todos nós sabemos que a eles só importa apontar o dedo na cara de seus adversários, ou melhor, seus inimigos.

Ninguém fede e com certeza ninguém cheira, mas uma coisa é inegável: aqueles que estão com alguém estão e não os trocam por nada. O sentido da expressão “político de estimação” nunca foi tão verdadeiro, o que é extremamente preocupante pois a urna eletrônica, um lugar que deveria ser tratado com seriedade e razão, será tratada com total emoção.

Aqueles que ainda não se decidiram para que lado pender, ou apenas quem escolher nesse ano, são, de certa forma, perseguidos e acusados de faltar com o compromisso de proteger e torcer para o melhor do Brasil. Mas pode-se dizer que esses neutros são os mais corretos dessa situação toda, pois são eles que verdadeiramente analisam, procuram saber e entender qual é a melhor opção para o futuro da nação.

2018 vai ser um ano de muitas incertezas, conflitos, gente cuspindo no outro e político falando que tudo vai mudar, mas não fazendo nada para tal mudança de fato acontecer. Infelizmente é necessário concordar com a frase de Eduardo Cunha: “Que deus tenha misericórdia dessa nação”.