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Fake news: como a propagação de boatos pode influenciar opiniões e alterar cenários

Mesmo com a onda de notícias de veracidade duvidosa circulando nas redes nacionais e internacionais, menos da metade dos brasileiros checa as informações que consome.

Por: Fernando Souza e Thiago Cavasini

A propagação das fake news (notícias falsas, em inglês) vem ganhando repercussão nos últimos anos, principalmente nas redes sociais. De acordo com uma pesquisa realizada pela Confederação Nacional do Transporte (CNT), apenas 36,5% (cerca de um terço) dos brasileiros checa a veracidade das informações que consomem, enquanto 68,2% pelo menos já ouviu falar de fake news. Desse grupo, 49% utilizam a internet todos os dias para se informar sobre diversos assuntos, sendo que os que têm mais destaque são entretenimento, política, esportes e economia.

O êxito na propagação dessas notícias, que geralmente vêm de fontes duvidosas, depende da disseminação rápida e dinâmica de conteúdo, com o intuito de atingir um grande número de pessoas em um pequeno espaço de tempo. O professor das áreas de Comunicação e Design da Universidade Positivo, André Tezza, explica que “pessoas que dependem demais da aprovação do olhar dos outros, do olhar da comunidade particular em que convivem, estão mais suscetíveis a acreditar naquilo que não desestabiliza suas amizades e relações sociais”.

Influência nas eleições

Fora do âmbito nacional, um grupo de garotos de Veles, na Macedônia, inundou a internet de notícias falsas durante a última campanha presidencial dos Estados Unidos. Ao perceber que o público que votava no candidato Donald Trump era mais propenso a disseminar esse tipo de conteúdo, o grupo passou a produzir apenas notícias que falavam a favor do republicano. Apesar de envolver figuras relevantes da mídia, essas notícias costumam ter como principal objetivo a monetização das propagandas localizadas no site utilizado para propagar as notícias, de acordo com Tezza.

Num momento muito próximo das eleições para presidente no Brasil, a preocupação quanto a reputação de alguns candidatos é reforçada. Essas notícias podem tanto beneficiar os candidatos quanto prejudicar sua imagem, o que pode confundir o eleitor quanto a informações controvérsias e até absurdas que muitas vezes aparecem. Apesar disso, nem sempre são os eleitores que propagam esse conteúdo, mas sim robôs (também conhecidos como bots ou contas automatizadas) que trabalham exclusivamente com a função de criar uma falsa sensação de apoio majoritário a uma pessoa ou alguma causa.

A Fundação Getúlio Vargas (FGV) concluiu um levantamento em que aponta que esses robôs foram responsáveis por 10% do engajamento no debate de conteúdo políticos nas redes sociais em 2014. As eleições naquele ano foram muito acirradas, com uma estreita margem de votos a favor da ex-presidente Dilma Rousseff. Isso mostra a importância dessa ferramenta na propagação de fatos inverídicos que, de uma maneira ou de outra, acabam convencendo o eleitor com facilidade. Por conta disso, muitas pessoas acreditam que em 2018, na era da pós-verdade, a massificação desse tipo de método pode influenciar ainda mais nas eleições do que influenciou em 2014.

Como identificar uma fake news

O principal perigo dessas notícias falsas está na sua propagação: por meio dos próprios leitores. Os fatos apresentados podem parecer muito bem elaborados e fundamentados, e até quem já tem conhecimento sobre o assunto está suscetível a compartilhar boatos. Por conta disso, o Conselho Nacional de Justiça publicou em sua página do Facebook algumas maneiras de identificar informações que são possíveis boatos.

Dentre as dicas estão: ler a notícia inteira, checar quem as publicou e pesquisar a mesma informação em outras fontes, mais conhecidas e confiáveis. O próprio Conselho abriu um procedimento para investigar a desembargadora Marília Castro Neves, que usou o Facebook para difamar a vereadora Marielle Franco (PSOL), assassinada no dia 14 de março de 2018.

Na opinião do professor André Tezza, a melhor forma de diminuir a distribuição em massa desses fatos é fortalecer o bom jornalismo e as instituições democráticas. Dessa forma, “as fake news perderiam sua força e poderiam ser desmentidas de maneira mais rápida”, explica. Além disso, ele acredita que com as recentes parcerias que as redes sociais têm feito com jornais on-line irão contribuir para a desmistificação dessas informações inverídicas, ao dar mais espaço para o jornalismo genuíno.

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