Opinião

Lula e o erro do PT

Por: Gabriela Cobbo

“Enquanto imperar a injustiça, nós vamos estar em marcha para reconduzir Lula à Presidência da República”. Essa foi a frase dita por Fernando Haddad no dia em que o PT oficialmente registrou Luiz Inácio Lula da Silva como seu candidato. Mesmo frente à provável decisão do STE de barrar a candidatura do ex-presidente, o Partido dos Trabalhadores se recusa a desistir de sua decisão de apoiar Lula como candidato até o fim. E esse poderá ser o erro que condenará um dos partidos de maior popularidade do país a um futuro de esquecimento.

Apesar de Lula ter 30% das intenções de voto, segundo pesquisa realizada pelo Datafolha, o cenário em que ele é substituído por Haddad mostra uma grande mudança: o ex-ministro aparece quase em último lugar, com apenas 1% das intenções de voto. Diante dos dados, parece lógico que o PT tenha preferido manter seu plano de lançar o ex-presidente como candidato, mantendo seu vice como um plano secundário. Mas não há nada de lógico nessa escolha, pois o número ínfimo de eleitores de Haddad se deve, principalmente, ao fato de que, ao contrário dos candidatos de outros partidos, o ex-ministro até agora não teve uma campanha. Sempre que o PT se pronuncia, é com o objetivo de defender Lula solto, Lula candidato. E, com isso, os eleitores de Lula desconhecem quem é seu vice e, caso a decisão do STE não seja favorável ao ex-presidente, seu substituto.

A verdade é que o PT, na disputa pela presidência, quase não tem eleitores. Lula tem. Por exemplo, não se pode argumentar contra o fato de que Dilma foi eleita somente após uma longa campanha, sendo abertamente apoiada pelo ex-presidente como a candidata oficial das eleições. Já Haddad não terá como viajar o país tendo Lula ao seu lado em cada palanque, e nem sequer como anunciar-se como candidato do partido antes da decisão do STE. Haddad não terá a sua imagem associada à do membro mais popular do partido. E, assim, não terá a mínima chance na disputa das eleições.

O PT errou ao apostar todas as suas fichas em uma decisão do STE que iria contra grande parte da opinião pública e contra a Lei da Ficha Limpa, sancionada pelo próprio Lula. Errou ao fazer de sua campanha eleitoral uma campanha pela soltura de Lula. Errou ao deixar como um plano secundário mal desenvolvido alguém que poderia participar das eleições sem qualquer impedimento legal, alguém que poderia estar presente em todas as sabatinas e debates aos quais Lula não pode comparecer. O PT errou ao investir todos os seus recursos, tempo e esforço em benefício de Lula, sacrificando o futuro do próprio partido, e, talvez, até mesmo da esquerda no Brasil.

*A presidente do TSE, ministra Rosa Weber, publicou no início da tarde desta quarta-feira (12) o edital em que formaliza a substituição do registro de candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva  pela de Fernando Haddad. Confira o vídeo o primeiro vídeo da campanha de Fernando Haddad como candidato a presidente.