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Redes Sociais, aliadas ou inimigas das eleições 2018

Pesquisa do IBOPE confirma que a internet virou o maior influenciador para eleger um candidato.

Por: Giullia Buch, Hellen Barbosa e Maria Claudia Batista 

Em época de eleições, as redes sociais têm se tornado cada vez mais um instrumento de cunho político. Alguns candidatos, até mesmo pelo pouco espaço na mídia tradicional (TV, rádio, jornais e revistas), acabam encontrando na internet o lugar que buscam para autopromoção. Pesquisa inédita do Ibope revela que 56% dos brasileiros aptos a votar afirmam que as mídias sociais terão algum grau de influência na escolha de seu candidato presidencial na próxima eleição, e para 36%, as redes terão muita influência.

Basta analisar os perfis, como as páginas de candidatos, para perceber que assistimos uma nova forma de se fazer política. Muitos criam um personagem para se aproximar de determinados grupos populares. Estes obedecem a lógica das bolhas sociais, ou seja, limitar pensamentos e ideias ao senso comum. Estes políticos passam a se comunicar de maneira mais efetiva com eleitores que correspondem ao perfil de determinado discurso político. Isso explica o sucesso nas mídias digitais, por exemplo, que se dão muitas vezes por compartilhamentos de mensagens e vídeos que concordam com a opinião de uma parcela da população que quer simplesmente dar visibilidade a sua pauta política.  Como propõe o conceito discutido por Teixeira Coelho no livro “O que é Indústria Cultural”, não importa mais o conteúdo e nem a forma como ele está sendo transmitido, importa apenas o meio.

Alguém que segue Jair Bolsonaro (PSL), candidato à presidência neste ano, não o segue só porque ele corrobora com suas opiniões. Da mesma forma quem segue outros candidatos como a Marina Silva (RD), Ciro Gomes (PDT), Lula (PT) ou qualquer outro, não seguem porque querem assimilar seus conteúdos, mas apenas porque acreditam que eles “representam” ou “simulam” a sua opinião. Segundo Christopher Achens e Larry Bartel, no livro “Democracia para os realistas: por que eleições não produzem governo responsivo?”, o eleitor não vota em ideias, mas em identidades.

Para quem quer construir uma carreira na política é vital permanecer “vivo” na memória do povo. Para o professor de história Karl Weiand, assistimos uma nova forma de se fazer política, novas ferramentas, novas mídias. “A campanha online consegue abranger um grupo muito maior de pessoas e na teoria com um custo bem mais baixo. A vantagem é que podemos ter acesso a informações sobre os candidatos que antes não tínhamos, mas o grande problema é que hoje assistimos na mídia digital uma grande quantidade de notícias falsas, e isso muitas vezes se torna verdade para muitos que não tem noção alguma de mídia e principalmente de política”, fala Karl.

Segundo Eduardo Silva, professor de filosofia da Univille-SC, e Doutor em Ciências Políticas, vivemos em uma época de opiniões muito fixas, duras e consolidadas. “Nesta altura da corrida eleitoral, não acredito que alguém que já definiu seu candidato, ou alguém que tenha clareza de seu posicionamento no espectro político, vá mudar de opinião. O que vai ocorrer de agora em diante é a busca pelo indeciso, que também está nas redes sociais. Então, ele será o alvo das artimanhas de marketing político. Se preparem para o aparecimento de inúmeros “bots” [software usado para reproduzir ações humanas] a serviço dos candidatos”, diz Eduardo.

De acordo com Joan Ferrés, em seu livro Televisão Sublimar (1998), existem diversos métodos para manipular o inconsciente humano, desde determinada posição das câmeras para causar uma imagem de soberania do candidato, a repetição de informações – mesmo quando não são totalmente verdadeiras, acabam influenciando o indivíduo – e os anúncios políticos, cada vez de menor tempo, não são mais para expor ideias ou projetos, mas cada vez se assemelham com propagandas de produtos comerciais, criando uma falsa realidade que transmite conforto e segurança ao público. Para conquistar votos,um candidato precisa conquistar a confiança do eleitorado e, para isso, os eleitores devem estar motivados e satisfeitos com o que é apresentado. Com base nisso, são usadas técnicas de pesquisas motivacionais em discursos para, desta forma, conquistar de vez a confiança dos eleitores. Até mesmo técnicas teatrais e de humor são utilizadas para maior eficácia da campanha.

A dica do professor Karl Weiand para conhecer melhor o seu candidato e suas propostas, é buscar informações em lugares além das redes sociais, pesquisar em fontes confiáveis o histórico do político e sempre questionar as reais intenções do candidato, ainda que este tenha fama e um rostinho bonito na internet.