Falando sobre as eleiçõesNotícias

Relembre casos de escândalo contra a saúde pública no Paraná

Crimes se caracterizam principalmente por desvio de recursos

Por: Luiz Felipe Carvalho e Gabriel Coelho

Em ano eleitoral uma das principais pautas levadas pelos eleitores até os seus candidatos é a saúde pública. Não é novidade que o sistema de saúde pública do país é falho e não consegue cumprir o que promete para grande parte da população, e isso se deve em grande parte aos crimes cometidos contra esta área. Nesta reportagem vamos relembrar alguns dos grandes escândalos contra a saúde que foram noticiados pela imprensa entre 2015 e 2018.

A maior recorrência de crime nesta área é de desvio de recursos, mas também acontecem casos de funcionários fantasmas, como aconteceu no Hospital de Clínicas (HC) do Paraná em 2015.

Foto: Rodrigo Juste Duarte

Na época, durante uma auditoria da CGU (Controladoria Geral da União), foi verificado que no HC havia um pequeno número de consultas marcadas para um grande número de médicos, levantando assim as primeiras suspeitas, tendo em vista a baixa produtividade apresentada por estes médicos.

Com isto, começou uma investigação que apontou os dez suspeitos com as evidências mais fortes de estarem cometendo o crime. Foi descoberto que alguns deles fraudavam as folhas ponto, outros chegavam a ir até o hospital, mas ficavam pouco tempo e iam até suas clínicas particulares para trabalhar.

Este caso afetou diretamente o Hospital de Clínicas e o seu funcionamento, já que muitos pacientes procuravam consultas e não conseguiam por conta de que os médicos mal atendiam na unidade.

Em 2017, um caso parecido aconteceu em Tomazina, quando um médico do Hospital São Vicente de Paulo foi acusado de receber e não comparecer ao trabalho, ele recebia cerca de trinta mil reais por mês. Além disso, quando o mesmo comparecia ao trabalho ele cobrava um valor duplicado pelas consultas.

Outro exemplo de escândalo contra a saúde pública foi o que aconteceu no Hospital Regional dos Campos Gerais, quando um estagiário foi acusado de desviar equipamentos hospitalares e vende-los. Além do suspeito, mais duas pessoas (um era o dono de uma empresa que comprava os equipamentos e outro era o administrador deste mesmo local) foram apontados como cumplices da ação.

O estagiário teria furtado, no total, dez equipamentos, entre eles dois desfibriladores.

O reflexo do descaso de gestores contra a saúde se dá no exemplo do Hospital Evangélico. A unidade pode fechar por falta de dinheiro, a dívida chega a R$400 milhões e o local está sobre intervenção da Justiça do Trabalho, tudo isso em virtude de dívidas trabalhistas. Para tentar resolver este problema, um leilão estava marcado para 4 de maio, mas foi suspenso, e ainda não tem uma data definida para acontecer. Este adiantamento levou o interventor Ladislau Zavadil Neto a levar um documento até a justiça. Nele, Ladislau declarava que a SESA (Secretaria de Saúde) deixava de repassar R$400 mil mensais para o Evangélico desde Janeiro

Na época, a governadora Cida Borghetti disse que a possibilidade do hospital fechar as portas não existia, e que o pagamento referente a Maio seria feito até o dia 15 do mesmo mês.